O equívoco de turbinar publicações e a ilusão de impacto real na política.
O peso injusto sobre as distribuidoras e o horário que querem calar
A disputa que ameaça a presença feminina na política

O peso injusto sobre as distribuidoras e o horário que querem calar

A realidade do pequeno empresário diante de regras que ignoram o papel das distribuidoras e a força da segurança pública em Goiás

As distribuidoras de bebidas em Goiânia e Aparecida se tornaram, com o tempo, mais do que simples pontos de venda. Viraram parte da rotina das pessoas, lugares onde o trabalhador para um pouco, conversa, relaxa e segue o dia. Não são bares e não são festas. São espaços que refletem o jeito simples e social do povo que gosta de sentar na porta e trocar conversa. Mesmo assim, essas pequenas empresas acabam tratadas como foco de problemas que não pertencem a elas.

O poder público insiste em limitar o horário de funcionamento até meia-noite usando sempre a mesma justificativa: reduzir crimes. Esse discurso não combina com a realidade. Goiânia, Aparecida de Goiânia e o estado de Goiás contam com uma das melhores estruturas de segurança pública do país. A Polícia Militar, a Polícia Civil e a Guarda Civil Municipal, que atua como verdadeira polícia municipal, trabalham de forma integrada, presente e eficiente. A população sente isso no dia a dia. E por termos uma segurança forte e bem preparada, não faz sentido restringir o funcionamento das distribuidoras como se fossem um risco para a cidade. Se existe um ambiente onde um comércio sério pode operar com tranquilidade, esse ambiente é justamente aquele em que as polícias garantem proteção constante.

E aqui entra um ponto importante. Quem é pequeno empresário sabe que o lucro é apertado, as despesas são altas e as contas não esperam. Estender o horário não é luxo e não é irresponsabilidade. É sobrevivência. É a forma de manter o negócio respirando, pagar equipe, energia, fornecedores e impostos. É a luta de quem carrega a própria empresa nas costas. Ninguém trabalha até tarde da noite por diversão. Estão ali porque têm família para sustentar e porque fechar cedo significa perder o pouco que faz diferença no fechamento do mês.

Mesmo assim, o reconhecimento que muitos recebem é apenas o da culpa. Culpa por barulho, culpa por confusão, culpa por crime, culpa por tudo o que acontece na rua. Como se as distribuidoras fossem a origem de qualquer problema urbano. Isso é injusto. Ignora a realidade e coloca o peso inteiro das falhas sociais nas costas de quem só está tentando trabalhar honestamente.

Falo também como frequentador de distribuidoras. Nunca presenciei crimes, agressões ou situações que justificassem o tratamento dado a esses estabelecimentos. O que vejo, na verdade, é uma política pública que falha em lidar com problemas sérios e complexos, como a questão dos moradores em situação de rua. Ao invés de enfrentar o que realmente exige estrutura, planejamento e assistência social, o caminho escolhido parece ser o mais fácil: culpar e fechar comércios noturnos, como se isso resolvesse algo.

Essa estratégia não ataca a raiz do problema. Apenas cria narrativas convenientes e limita o trabalho de quem está dentro da lei, pagando impostos e contribuindo para a economia da cidade.

As distribuidoras funcionam de domingo a domingo. São negócios que abastecem eventos, festinhas de família, bares pequenos, aniversários e encontros casuais. Sustentam empregos e fazem parte da economia da cidade. Mesmo assim, são tratadas como se fossem um incômodo coletivo, quando na verdade são parte da vida cotidiana das pessoas.

Se o poder público realmente quiser ajudar, o caminho é dialogar, e não punir. É entender que, em cidades onde a segurança pública é forte, integrada e eficiente, não existe motivo plausível para impedir que esses estabelecimentos funcionem um pouco mais tarde. Existe, sim, a necessidade de organizar, ajustar regras e garantir o sossego. Mas isso não pode significar sufocar quem está lutando para manter o próprio sustento.

As distribuidoras não são o problema. O problema é a tendência de culpar quem está visível e ignorar a raiz das questões urbanas. Com a segurança que Goiás oferece, essas empresas poderiam funcionar até mais tarde com responsabilidade e sem comprometer o bem-estar de ninguém.

O que falta é sensatez. E a disposição de enxergar que quem está atrás do balcão não é inimigo da cidade. É parte dela. É alguém que enfrenta jornadas longas, paga impostos caros e apenas quer trabalhar com dignidade. Quem trabalha não merece ser tratado como vilão. E muito menos como bode expiatório de problemas que não nasceram dentro das distribuidoras, mas que insistem em jogar sobre elas.