Entre “meu mito” e “meu pai voltou”, o país esqueceu que política não é campeonato e que o povo não deveria ser a bola do jogo.
Se política fosse campeonato, o Brasil seria aquele time que sempre chega perto da final, mas perde por causa do próprio ego. De um lado, torcedores gritando “meu mito!”, do outro “meu pai voltou!”, e no meio o juiz (vulgo povo) sendo xingado pelos dois times.
Dois ex-presidentes, dois lados e um país cansado. Um foi preso por corrupção, o outro usa tornozeleira eletrônica e é investigado por atacar a democracia. Mesmo assim, boa parte do país ainda defende esses nomes como se fossem heróis. O brasileiro transformou a política em Libertadores: comemora CPI, vaia operação policial e faz meme com delação premiada.
O debate político virou briga de bar, só que sem cerveja gelada e com muito textão no WhatsApp. A cada nova crise, o povo finge que está tudo bem, mas o gás custa um rim, o salário evapora e o emprego virou item de colecionador. Enquanto isso, a galera discute qual corrupto é mais honesto.
Viramos fã-clube de político. Idolatria pura, com direito a camiseta, adesivo e até tatuagem. Esquecemos que o jogo não é sobre quem grita mais, mas sobre quem joga melhor. E, spoiler, ninguém está jogando bem.
O Brasil está doente. E não é só na economia. É uma febre de cegueira ideológica, uma gripe moral que faz a gente achar que “rouba, mas faz” ainda é argumento válido. O povo segue sangrando, os problemas reais continuam em campo, e o juiz já desistiu de apitar.
Enquanto uns torcem contra o próprio país só pra provar um ponto, outros vibram com a desgraça do vizinho porque “pelo menos não é do meu time”. Ninguém pergunta o básico: como isso afeta o prato do trabalhador, a quebrada, o pequeno comércio?
No fim, o jogo segue empatado, 0x0 entre fanatismo e hipocrisia. O futuro? Esse já foi pro banco de reservas.
Tá na hora de virar a página, tirar a camisa de torcida e lembrar que política não é religião nem rinha de ego. É responsabilidade, maturidade e, quem diria, bom senso.
O Brasil não precisa de salvador da pátria. Precisa de gente que pare de torcer e comece a pensar.
Porque, sinceramente, o povo brasileiro merece um replay melhor.