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Avante… ao retrocesso: quando o Tufão passa e o Zói não vê

Quando a desorganização partidária fala mais alto que o voto

A política costuma ser um cenário de escolhas, estratégias e acertos pontuais, mas às vezes ela se transforma num espelho que expõe fragilidades que muitos fingem não ver. O episódio da cassação de Cristiano Zói e da ascensão de Diogo Tufão é exatamente esse tipo de espelho. Ele não reflete apenas uma troca de nomes no plenário. Ele revela a consequência direta da desorganização interna de um partido que se perdeu no próprio caminho enquanto gritava a palavra Avante.

A Justiça Eleitoral não derruba ninguém por capricho. Ela não acorda inspirada e decide redistribuir cadeiras. Ela age porque encontra irregularidades que não podem ser ignoradas, especialmente quando se trata de formação de chapa e cumprimento das cotas de gênero. Essas regras não são adereço estético. São pilares estruturais da democracia. Quando um partido trata isso como mera burocracia, a conta chega. E chega em voz alta.

No caso do Avante, a negligência virou manchete. A formação da chapa apresentou inconsistências tão claras que o TRE-GO não teve dificuldade em confirmar a cassação. A anulação dos votos da legenda provocou nova totalização, recalculou quociente e mudou a composição da Câmara. A partir desse momento, não havia espaço para lamento ou surpresa. Apenas consequência. Esses são os efeitos de um partido que marcha Avante no slogan e para trás na organização.

É natural que Cristiano Zói se sinta atingido. Qualquer político cassado tenta explicar ao eleitorado que não fez nada de errado. E muitas vezes é verdade. O problema é que, no Brasil, o mandato pertence ao partido. Logo, qualquer falha interna afeta todos, até aqueles que fizeram campanha limpa, investiram tempo, energia e votos reais. A sensação de injustiça é humana, compreensível e legítima, mas ela não muda a essência do fato jurídico. O erro não nasceu na urna. Nasceu na nominata, na pré-campanha, na montagem improvisada de uma chapa que não suportaria a luz fria da Justiça Eleitoral.

Do outro lado, Diogo Tufão surge como o nome que a matemática apontou. Não é obra do acaso. São 1.757 votos que estavam à espera de um novo cálculo. São anos de envolvimento nos bastidores da política municipal, experiência em cargos públicos e atuação social contínua no Setor Cidade Satélite São Luiz. Ele não apareceu como oportunista. Ele apareceu porque o sistema recalculou a rota depois que o Avante se perdeu no mapa.

Essa mudança deveria servir como lição. Partidos que desejam disputar eleições de forma séria precisam respeitar cada etapa do processo. Seriedade não começa no santinho nem na carreata. Começa na pré-campanha. Começa quando a nominata é planejada com rigor. Começa quando cada nome, cada percentual, cada cota e cada regra são cumpridos com precisão técnica. Quem ignora isso colhe constrangimentos públicos e abre brechas para recontagens que redesenham o Legislativo sem pedir licença.

A posse de Tufão, portanto, não é vitória pessoal e nem derrota individual. É a manifestação institucional de uma falha coletiva. Ele assume porque a lei exige. Ele assume porque o partido que deveria ter garantido a segurança jurídica de Zói preferiu confiar na sorte. E sorte, no universo eleitoral, é sempre curta.

O episódio deixa uma mensagem clara para futuros candidatos e dirigentes partidários. Não há glamour político capaz de substituir a necessidade de cumprir a legislação. Não há carisma suficiente para proteger uma chapa mal construída. Não há voto suficiente para salvar um partido que não obedece às regras mais elementares de uma disputa.

No fim das contas, a política é como o clima. Quem se organiza resiste ao vento. Quem não se organiza é carregado por ele. E desta vez, o vento chegou com nome próprio. O vento se chamou Tufão.