O Brasil virou torcida organizada (e ninguém quer ser técnico)
Aparecida de Goiânia e Aparecida Vilela: histórias que caminham juntas
Avante… ao retrocesso: quando o Tufão passa e o Zói não vê

Aparecida de Goiânia e Aparecida Vilela: histórias que caminham juntas

Entre a cidade que me acolheu e a mãe que me ensinou a caminhar, novembro vira palco de gratidão, afeto e um humor que só quem cresceu em Aparecida entende

Aparecida de Goiânia não é apenas o ponto no mapa onde eu moro desde 1988. É a moldura da minha infância, o cenário da minha vida adulta e o palco onde minha família encontrou abrigo, dignidade e raízes profundas. A cidade que muitos conheceram em expansão, eu conheci em construção. E, sinceramente, que privilégio acompanhar essa metamorfose quase geológica, porém bem mais feliz que tectônica.

Amanhã, 14 de novembro, Aparecida sopra 62 velinhas da sua emancipação política. Sessenta e dois anos de história, suor, teimosia e uma capacidade admirável de crescer para todos os lados sem perder o jeito acolhedor de vizinhança antiga. É aquela mistura agradável de modernidade com cheiro de café coado, onde o progresso chega, mas o “entra, a porta tá aberta” nunca se perde.

E como se o calendário tivesse senso de humor, no dia seguinte é aniversário da minha mãe, Aparecida Vilela. Ela chega aos 73 anos com a mesma energia de quando eu ainda nem sabia amarrar o cadarço. Ela é o tipo de pessoa que faz aniversário e parece que quem ganha presente somos nós. Dona de uma sabedoria espontânea, um carisma quase folclórico e uma paciência lendária, ela personifica o que Aparecida tem de mais bonito: força serena.

Essas duas aniversariantes têm mais em comum do que o nome. Ambas me ensinaram que não existe crescimento sem resiliência. Ambas me mostraram que acolher não é obrigação, é vocação. E ambas carregam um senso de humor que só quem vive em Goiás entende; uma mistura de ironia carinhosa com firmeza bondosa que resolve tudo com um “uai, meu filho, sossega”.

Novembro sempre foi um mês especial, mas agora percebo que ele é praticamente uma metáfora ambulante. Enquanto a cidade celebra mais um ano de história, minha mãe celebra mais um ano de vida. E eu celebro os dois. Sou fruto dessa terra e dessa mulher. E as duas, a seu modo, continuam cuidando de mim.

Aparecida cresce. Minha mãe segue iluminando. E eu sigo grato, rindo das coincidências do destino e celebrando esse privilégio duplo: amar a cidade onde vivo e reverenciar a mulher que me trouxe até aqui.