A verdade por trás do ITU progressivo em Aparecida: quem reclama não é o povo, é a elite fundiária que trava o crescimento da cidade
A aprovação do ITU progressivo em Aparecida de Goiânia marca um daqueles momentos em que a cidade finalmente confronta um problema que sempre esteve diante de todos, mas que poucos tiveram coragem de nomear: a concentração absurda de terras urbanas ociosas. E quando digo absurda, não é força de expressão. Estamos falando de aproximadamente 85 mil terrenos nas mãos de algo em torno de 170 famílias ou empresas. É a elite fundiária travestida de “empreendedores”, mas que, na prática, bloqueia o desenvolvimento urbano, encarece a cidade e transforma bairros inteiros em bolsões de abandono.
O cidadão comum, o trabalhador, o microempreendedor, o servidor público, o comerciante, a pessoa que batalha para conquistar o primeiro lote, esse não deixa terreno parado. Pobre não especula terra. Pobre constrói. Constrói porque precisa morar, porque precisa gerar renda, porque o lote é patrimônio e abrigo, não investimento financeiro. Sempre será assim.

Por isso, sou inteiramente favorável ao aumento das alíquotas do ITU, especialmente no formato progressivo, que corrige distorções e enfrenta a especulação que se tornou um câncer silencioso no tecido urbano de Aparecida. Aliás, deixo aqui um desafio público, direto e claro: quero que alguém me mostre um pobre que tenha mais de um lote vago na cidade. Um só. Não existe. E todos sabemos disso.
A gritaria contra o ITU progressivo não nasce do interesse popular. Ela nasce da defesa velada — ou escancarada — de quem lucra mantendo a cidade estagnada. Lotes vazios acumulam mato, lixo, animais peçonhentos, vetores de doença e, pior, servem de esconderijo para criminosos. Não é exagero dizer que existem terrenos que se transformam em risco real para mulheres, crianças e idosos, justamente porque a especulação cria espaços perfeitos para o abandono e a insegurança.
A nova regra das calçadas, por sua vez, corrige outra distorção histórica. É inconcebível que uma cidade do tamanho e da importância de Aparecida ainda conviva com quadras inteiras sem passeio público. Calçada é infraestrutura básica, é direito de ir e vir, é segurança para quem caminha. Se o proprietário se recusa a cumprir sua responsabilidade mínima, é mais que razoável que o município intervenha, execute a obra e cobre o custo. Isso é gestão eficiente, não punição.

Os que se colocam contra essas medidas precisam ter coragem de dizer a verdade: não estão defendendo o povo, estão defendendo patrimônios milionários de investidores que há décadas tratam a cidade como uma planilha de especulação. É legítimo ter patrimônio, é legítimo investir, é legítimo lucrar — mas isso não dá a ninguém o direito de travar o crescimento de uma cidade inteira à custa da própria população.
Aparecida de Goiânia cresce rápido, mas não cresce como deveria porque carrega o peso dessa concentração fundiária. E chegou a hora de virar essa chave.
A partir de 2026, o ITU progressivo não será apenas uma mudança tributária. Será um recado claro: a cidade pertence a quem vive nela, não a quem a enxerga apenas como número ou ativo financeiro. Que isso incomode alguns, tudo bem. A evolução sempre incomoda.
E se tem gente se movimentando tanto para tentar barrar ou criticar essa mudança, vale a reflexão: quem está bancando essa resistência? Porque o povo, definitivamente, não é.