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A disputa que ameaça a presença feminina na política
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A disputa que ameaça a presença feminina na política

O risco de retrocesso na redução das cotas, a força das líderes que elevam a política goiana e o impacto da fragilidade como postura pública

O debate sobre as cotas de gênero no novo Código Eleitoral reacende uma preocupação profunda sobre o futuro da participação feminina no poder. Desde que o Brasil estabeleceu a reserva de 30% das candidaturas proporcionais para mulheres, houve avanço, ainda que tímido. Essa política abriu caminhos que antes sequer existiam. Mas o avanço está longe de ser suficiente. A desigualdade permanece gritante: mulheres são maioria no eleitorado, mas ocupam uma minoria vergonhosamente pequena nos parlamentos.

Agora, a proposta em discussão pretende substituir os 30% de candidaturas por uma reserva de apenas 20% das cadeiras. À primeira vista, pode soar como uma solução pragmática. Mas, quando observada com rigor, revela-se perigosa. Em vez de incentivar a presença feminina, estabelece um teto mínimo, permitindo que partidos deixem de apoiar candidaturas competitivas e de investir em lideranças reais. Trata-se de um retrocesso disfarçado de avanço.

Estudos como o do Nepem UFMG deixam claro o tamanho do desafio. Mulheres, sobretudo mulheres negras, têm muito mais chances de receber votação pífia. Não por incompetência, mas por falta de financiamento, apoio partidário e estrutura de campanha. Essa desigualdade não é casual. É produto de uma violência política silenciosa, reproduzida ao longo das décadas.

Ainda assim, Goiás é um estado que tem mostrado ao Brasil que, quando uma mulher bem preparada rompe essas barreiras, ela transforma o parlamento. O exemplo mais visível é a vereadora Aava Santiago, uma liderança que desafia qualquer leitura rasa sobre fragilidade feminina. Aava debate com intensidade, enfrenta resistências, cobra seriedade das instituições e demonstra que sua força política não deriva do gênero, mas da competência. Sua atuação não é coadjuvante. É protagonista. Aava é a imagem da mulher que não espera espaço, mas constrói o próprio.

E Goiás não tem apenas Aava como referência. O estado possui mulheres que dignificam o mandato e elevam o nível da política.

A delegada Adriana Accorsi, hoje deputada federal, é reconhecida nacionalmente por sua atuação firme e responsável. Recebeu o troféu de melhor deputada de Goiás no Prêmio Congresso em Foco 2025. Seu histórico como investigadora, defensora da segurança pública e candidata à prefeitura de Goiânia demonstra preparo, maturidade e coragem para enfrentar embates de alta complexidade.

Rosângela Rezende, deputada estadual, eleita “Deputada do Ano” no Destaques Alego 2025, é outro exemplo de política que entrega resultados. Sua atuação consistente mostrou que representatividade feminina não é concessão, é mérito.

Leia Klebia, vereadora em Goiânia, já se destacou em seu segundo mandato por ter apresentado o maior número de projetos relevantes na Câmara Municipal em 2019. Seu foco em educação, segurança e proteção da mulher reforça a importância de lideranças femininas que trabalham com seriedade e visão de futuro.

Vivian Naves, deputada estadual, tem uma atuação intensa em pautas ligadas à família, proteção da mulher, crianças e idosos. Seu trabalho integrado com o Executivo estadual a coloca como uma voz ativa dentro da Alego, sempre presente na formulação de políticas públicas voltadas à proteção social.

Essas mulheres não se vitimizam. Não se diminuem. Não utilizam o gênero como desculpa para fragilidades. Elas disputam em igualdade, enfrentam debates, sustentam suas ideias e mostram que a presença feminina qualificada é indispensável ao país.

Mas existe também um movimento oposto dentro da política. Algumas mulheres, ao invés de se inspirarem nas lideranças fortes e competentes que Goiás produz, preferem se esconder atrás do próprio gênero. Transformam qualquer debate em agressão pessoal, atribuem todo obstáculo ao machismo e se colocam como frágeis diante das responsabilidades do cargo. Essa postura, ainda que compreensível diante de um ambiente hostil, não contribui para o avanço da representatividade. Pelo contrário, enfraquece a imagem das mulheres na vida pública e desencoraja potenciais candidatas a ingressarem no cenário político.

A política da fragilidade cria um efeito inverso ao desejado. Quem observa de fora, especialmente mulheres jovens, tende a acreditar que a política não é lugar para elas. Que o desgaste é maior do que o espaço. Que a insegurança é maior do que a oportunidade. Quando a figura feminina no poder opta por se colocar como vítima constante, ela sabota a própria coletividade que deveria inspirar.

É por isso que a redução das cotas para 20% das cadeiras é alarmante. Ela não corrige desigualdades históricas, não promove inclusão, não fortalece mulheres competitivas e não incentiva renovação. Apenas acomoda partidos que preferem não investir em lideranças femininas e reforça a presença de candidaturas frágeis, sem apoio e sem condições reais de disputa.

As mulheres que transformam a política, as que inspiram, as que elevam debates, são aquelas que entram para vencer, para liderar, para argumentar. Não as que se escondem atrás de narrativas frágeis. O Brasil precisa de mais Adriana Accorsi, mais Aava Santiago, mais Rosângela Rezende, mais Leia Klebia, mais Vivian Naves, mais mulheres que não se curvam à pressão e que elevam o nível da política. Precisa também das grandes referências nacionais que fizeram história, mas sem substituir o protagonismo local. E precisa, acima de tudo, de políticas que ampliem a presença feminina sem limitar sua força.

O país só ganha quando mulheres fortes ocupam o poder. Só avança quando mulheres preparadas assumem o protagonismo. Só evolui quando a política deixa de ser palco de fragilidade e passa a ser espaço de coragem, de inteligência e de transformação.

O Brasil precisa de mais mulheres assim. E jamais poderá aceitar legislações que empurrem a representatividade feminina para trás.