Candidatos terão de se reinventar para baratear custos das eleições de 2018

Crédito: Antonio Augusto

Entre os 10 deputados federais mais votados no último pleito, seis gastaram acima de R$ 2 milhões cada um na disputa

Mesmo com a popularização das novas tecnologias e a mudança radical nas práticas de difusão da informação, políticos ainda utilizam velhas estratégias na hora da campanha. Abusando do horário eleitoral no rádio e na televisão e gastando com a impressão de materiais gráficos, cada parlamentar utiliza, em média, R$ 6 milhões para se eleger. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2014, foram gastos R$ 5,1 bilhões nas campanhas dos cargos federais, como presidente da República, governadores, senadores e deputados federais.

Entre os 10 deputados federais mais votados no último pleito, seis gastaram acima de R$ 2 milhões cada um na disputa. Entre os partidos, o PR teve as despesas mais elevadas para as campanhas, sendo R$ 10 milhões para cada candidato a deputado federal e R$ 5 milhões, para os estaduais. O DEM, o PSDB e o PP estimaram gastos de R$ 7 milhões para cada uma das cadeiras na Câmara dos Deputados.

Em meio à discussão no Congresso para a criação de um fundo público de financiamento de campanha, inicialmente orçado em R$ 3,6 bilhões, a conta paga pelo eleitor já é alta. De acordo com a Ong Contas Abertas, no ano que vem, o governo deixará de arrecadar R$ 1 bilhão por causa da isenção de impostos para as emissoras de rádio e tevê veicularem o horário eleitoral tido como gratuito. Além disso, a Justiça Eleitoral tem um custo anual em torno de R$ 7 bilhões.

O secretário-geral da Contas Abertas, Gil Castelo Branco, aponta que, no quadro econômico atual, não se deveria debater o aumento do custo das eleições. “Antes de se discutir mais recursos para os partidos políticos, é preciso avaliar o barateamento das eleições. A democracia no Brasil já é financiada pela sociedade ao custo de R$ 7,2 bilhões em ano fora do período eleitoral. Além disso, neste ano, tivemos um fundo partidário de R$ 839 milhões”, destaca.

Após 20 anos atuando em campanhas políticas em Brasília, o marqueteiro Marcelo Senise não tem dúvidas de que é possível reduzir as despesas na hora de atrair votos. “As campanhas, naturalmente, se tornaram mais baratas. Antes, 100% dos investimentos de um candidato eram focados em materiais impressos. Hoje, esse gasto não deve representar mais do que 5%. Dá para economizar 90% usando aplicativos, sites e redes sociais”, afirma.

Alternativas

Alguns candidatos mostram que é possível vencer uma eleição com um gasto relativamente pequeno. É o caso do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que utilizou menos recursos na campanha entre os 10 ocupantes da Câmara que tiveram maior número de votos. “Eu gastei em toda a campanha R$ 145 mil. Esse valor foi investido na divulgação pela internet e em material gráfico. As redes sociais foram os principais mecanismos. Mesmo gastando bem menos, eu alcancei 400 mil votos”, diz o parlamentar, que revelou ter investido ainda em visitas presenciais em templos religiosos.

Regionalmente, também é possível fazer uma campanha bem barata. Sem patrocinadores, o deputado distrital Israel Batista (PV) usou as redes sociais. Batista se elegeu com 22 mil votos para a Câmara Legislativa do Distrito Federal. “Gastei R$ 195 mil na campanha, que ocorreu praticamente pelas redes sociais. Na internet, você pode interagir com o eleitor. As pessoas estão cansadas das campanhas antigas, sem autenticidade. Nós temos ferramentas boas e baratas para divulgação, como os aplicativos. E, mesmo assim, ainda tem gente querendo colocar o custo da campanha no bolso do cidadão”, critica.

Entre 2002 e 2014, o gasto por candidato durante a disputa por uma vaga de deputado federal aumentou 283%. De acordo com informações prestadas à Justiça Eleitoral por oito dos maiores partidos políticos — PT, PSDB, DEM, PP, PMDB, PPS, PSB e PR —, na campanha de 2002, cada deputado federal gastou R$ 1,6 milhão para se eleger, frente a 6,4 milhões em 2014. Entre os mais votados que alcançaram um cargo na Câmara, o deputado Rodrigo de Castro (PMDB) fez o maior investimento para conquistar os eleitores. De acordo com dados oficiais, a campanha dele custou R$ 4,5 milhões. Como obteve 292 mil votos, o político gastou em média R$ 15 para cada eleitor que conquistou — os que gastam menos, desembolsam, em média, R$ 0,50. Em segundo lugar, aparece o deputado Reginaldo Lopes (PT), que reservou R$ 4,4 milhões para conquistar uma cadeira na Casa.

Dicas
Reduzir os custos em santinhos, camisetas e panfletos e investir panfletagem virtual;
Manter uma página na internet atualizada, com informações de interesse do eleitor. Responder os questionamentos é a mais barata de conquistar votos;
Aproveitar o espaço na tevê para apresentar melhor a proposta;
Promessas não cumpridas ficam na internet. Faltar com a verdade pode custar caro;
Planejar os gastos com antecedência pode reduzir em até 90% o custo.

R$ 6 milhões
Preço médio que custou a eleição de cada deputado federal em 2014

Consultor especializado em marketing digital

Junior Vilela

Formado em administração de empresas com habilitação em marketing com especialização em marketing digital, palestrante, empresário, blogueiro, Superintendente de Mídia de marketing e escritor.

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